segunda-feira, 18 de junho de 2012

Terra de Gigantes Solitários...


São 18:39 de um dia qualquer como tantos outros...

Ônibus lotado...

Está chovendo lá fora e, por isso, todos os vidros estão fechados...

Calor, suor, fedor insuportável...

Carlota está em pé, segurando-se como pode em uma das barras de aço, visivelmente cansada após um dia inteiro trabalhando como vendedora em uma loja de sapatos...

Ironicamente, seus pés inchados estão lhe matando!

Dona Carla, ou Carlota para os íntimos, é uma quarentona bonita, de cabelos negros curtos e com franjinha como a moça da novela, corpo um pouco cheinho após três filhos, mas com curvas interessantes, e apesar de algumas rugas e marcas de expressão, seus olhos verdes ainda chamavam a atenção por onde passava...

Obviamente, nem tanto quanto seu bumbum imenso, perfeitamente exposto através da calça legging branca que compunha seu uniforme...

Ao seu lado, um homem alto e magro, vestindo uma camisa xadrez e óculos fundo de garrafa, parecendo um personagem da série norte-americana “The Big Bang Theory”, olha fixamente para ela – deixando-a visivelmente desconfortável. Ainda adolescente (pelo grande número de espinhas e pela barba mal feita), o garoto decide se aproximar mais...

- Que calor, não?

Ela nem se digna a responder. Está cansada demais para isso...

- Desculpe estar sendo indiscreto... ou mesmo atrevido...

Ela olha para o garoto, que sorri, tímido...

- Posso perguntar teu signo?

- Aff...

- Ou quem sabe teu nome, CPF ou partido?

- Como é?

- Qual teu endereço, do que vives... tua idade?

- Ahn?

- Tens herança ou carteira de identidade?

- Você é louco, garoto?

- Como é a paixão para você? Chega assim... como quem nada quer? Ou de cara vai dizendo como vai ser?

- Aff... (virando a cara)

- Acharás se tens algum sentido, perguntar se Leminski ou Nietzche tu tens lido? E ouvido?

- Escute, garoto... eu...

- É verdade que és dona da verdade? Ou o coração deve bater a vontade?

- Humf...

- Ah, tem mais coisas que preciso saber, antes que possamos conviver... Quem está querendo o quê de quem?

Ela tenta se afastar do garoto maluco, mas a multidão impede qualquer movimento que não seja o causado pelo balanço do coletivo. Ele continua:

- Eu quero e devo saber também, se já foste a Belém! Meu bem... foste tu até Caruaru? Visitaste Nova Jerusalém?

- Hein???

- Poderás me responder, se viajaste de trem prá Itú?

- Porque você não vai...

- Talvez Bauru?

- Tomar...

- Ou Botucatu?

- No...

- Caraguatatuba?

- Cú...ba?

- Ou Itanhaém?

- Hein?

- Los Angeles! Conheces? Estiveste em Budapeste? Até que ponto chegaste? Moraste lá no nordeste? Em qual cidade nasceste? De onde raios vieste?

Felizmente, uma senhora obesa desceu do ônibus, libertando espaço para que pudesse escapar daquele interrogatório insano! Mas o garoto foi atrás, segurando seu braço. Carlota ameaçou gritar...

- E qual teu pique quanto à sexualidade? Só para definir o grau de nossa amizade...

- Me solta, seu idiota!

- Ok... vou colocar meus dedos na tua ferida... mas para prevenir, cabe-me tomar as medidas...

O garoto abaixou o zíper de sua calça jeans e sacou seu pau já rígido para fora, criando espanto entre os expectadores do insólito “casal”. Em seguida, sacou de seu bolso uma camisinha, que começou a desenrolar sobre o membro. Carlota puxou a corda e desceu no próximo ponto, gritando SOCORRO!!!!

Dentro do ônibus, o garoto ficou triste, de cabeça baixa, acariciando seu pênis envelopado enquanto sua musa saia correndo aos berros histéricos... Antes que fosse dominado pela turba, cantarolou...

Mas agora, lá fora, o mundo todo é uma ilha... Há milhas e milhas, e milhas... de qualquer lugar...

Ninguém pára para ver a Lua surgir e sumir do céu...

Tanta pressa para se chegar a lugar nenhum...

Mas com certeza, a Lua tem mais o que fazer!

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