Presente de Grego


Patrícia e Maurício formavam um casal incrível. Se conheceram em Campos do Jordão, em uma festa na casa do filho do deputado estadual, e algumas taças de vinho tinto depois, estavam aos beijos na varanda, contemplando a lua cheia e o céu estrelado da Serra da Mantiqueira.

Três semanas (e dezenas de e-mails e mensagens de texto) depois, alteraram seus “status” nas redes sociais para “namorando”. Em seguida, vieram os planos para casamento, aquisição de um apartamento na zona oeste de SP, almoços e jantares em família, filmes da Anne Hathaway etc.

O sexo era muito bom, mas com o passar dos meses, inevitavelmente caiu na rotina. Eles já conheciam bem as posições, que seguiam um roteiro fixo pré-determinado, que se repetia todas as semanas – sempre nas noites de sábado. Ou seja: um tédio!

Certo dia, Patrícia estava em seu escritório, baixando os e-mails, quando uma promoção de um site de compras coletivas lhe chamou a atenção: um book sensual, com produção profissional e 50 fotos, por apenas R$ 75,00. Ela riu sozinha, pensando em si fazendo caras e bocas para o fotógrafo, como se fosse uma “atriz/modelo/participante de reality show”. Em seguida mandou o e-mail para sua “lixeira” virtual.

Mas por alguma razão, a imagem de seu irmão mais velho, passando horas e horas no banheiro, acompanhado de velhas Playboys escondidas embaixo do colchão de sua cama, voltou nítida à sua mente. Patrícia sabia que todo homem, desde a mais tenra idade, sonha em sair com uma “garota da capa”. E não seria um bom presente para seu namorado?

Não... Ela não teria coragem! Até porque tinha seus pneuzinhos...

Mas puxa... Estava tão barato... E ela amava tanto Maurício...

Por alguma razão, ela resgatou o e-mail da lixeira e decidiu verificar quais eram as condições da proposta. Viu que a sessão seria realizada num estúdio próximo ao escritório (mediante prévio agendamento), por um fotógrafo famoso de sub-celebridades e sua equipe de apoio, e que o álbum seria entregue em no máximo 30 dias.

Ou seja: próximo ao dia dos namorados...

Patrícia riu novamente. E decidiu comprar o “cupom”.

Em sua hora de almoço, decidiu ligar para o tal estúdio. Uma voz feminina lhe atendeu:

- Estúdio Photoart, boa tarde...

Ela respirou fundo antes de responder, hesitante.

- Er... B-boa tarde... Sou Patrícia e hoje pela manhã, comprei pelo Coala Urbano um book...

- Pois não, dona Patrícia. Acredito que a senhorita tenha lido os termos e condições da proposta, não?

- Er... sim!

- Muito bem... O Roger, nosso fotógrafo, está viajando para o Rio de Janeiro, mas na sexta-feira estará de volta. Podemos marcar para... as 18:00?

- Não pode ser na hora do almoço? Por volta do meio-dia?

- Desculpe... Este é o horário mais corrido! Na verdade, trabalhamos até as 17:00, mas como muitas meninas estão comprando o book, iremos fazer um plantão extra na sexta, para dar conta de entregar até o dia dos namorados... Pode ser?

- Ok, marcado então! Preciso ir com alguma roupa ou...

- Não, não... Nós temos tudo aqui: figurino, maquiagem, apoio... Só precisa trazer o comprovante de pagamento, ok?

- Certo, obrigada!

Patrícia desligou o telefone e sentiu seu coração batendo forte.

“Nossa! Já era quarta-feira! A sessão de fotos estava marcada!”

Não tinha como voltar a trás...

Precisando desabafar, ela ligou para sua melhor amiga e contou o que iria fazer. Marcela riu muito, mas elogiou a coragem da amiga.

“Eu não sei se faria, porque estou uma baleia, mas você é tão linda, Paty! O Mau-Mau vai ficar doido! Hahahahaha! E oh: quero ver as fotos, hein?”

O resto da semana foi um longo tormento para Patrícia...

Ela não comia ou dormia direito. Também não conseguia focar no trabalho. Suas inseguranças quanto ao corpo e também quanto à seriedade do estúdio eram evidentes... Já pensou se eles jogassem suas fotos na internet? Ai, ai...

Ela decidiu não ir...

Melhor assumir o prejuízo do que correr o risco de se passar por ridícula!

Depois decidiu ir...

Ela nunca fugiu de nenhum desafio que se propôs na vida!

Mas... desta vez... ela não iria...

Ou melhor... ela iria sim...

Ou não...

Ou... talvez?

Sexta-feira, 17:30, seu computador desligando...

Ela se olhou para o espelho formado pela tela negra à sua frente, e viu seus cabelos soltos, levemente ondulados, emoldurando um lindo rosto maquiado – lábios grossos pintados com batom vermelho, base, rouge, lápis nos olhos, cílios postiços, sombra escura, valorizando o tom esmeraldino de seus olhos. Viu também seu decote, revelando um belo par de seios altivos, praticamente saltando de seu vestido preto.

Ela decidiu ir.

Pegou sua bolsa pequena e, decidida, despediu-se dos colegas de trabalho, marchando com seus saltos altíssimos pelas calçadas irregulares do centro velho da capital paulista.

Duas quadras depois, Paty chegou ao endereço – um velho edifício comercial decadente, sem portaria ou vigilância. Ela ainda conferiu se era o prédio certo – mas na recepção vazia, uma placa de metal em preto e prata anunciava o Estúdio Photoart no seu 6º andar – sala 601.

Nunca um elevador demorou tanto!

Ela decidiu ir embora.

Mas assim que a porta se abriu, no sexto andar, revelando uma porta de vidro jateado, onde lia-se “Estúdio Photoart” com letras estilizadas; com uma sala de espera com um sofá em couro escuro em “L” e uma bancada em madeira, onde uma bela loira com cara de ninfa falando ao telefone; Patrícia decidiu encarar logo sua “missão”!

A loira siliconada desligou o telefone e, com um largo sorriso, correu para abrir a porta para Paty, ainda desconfortável e insegura – mas um pouco mais tranqüila pelo aspecto profissional do lugar.

- Patrícia, creio eu?

- Sim!

- Sou Rebeca, prazer... Fique a vontade, viu? O Roger já está preparando o cenário para as tuas fotos com o pessoal da iluminação e cenografia. É a tua primeira vez?

- Er...sim...

- Então relaxe um pouco, menina... Você tem um rosto lindo! Bem fotogênico! Quanto mais relaxada estiver, mais interessante ficará teu ensaio... Aceita um suco, talvez uma taça de champanhe?

- Ai... você tem algo mais... forte?

A loira sorriu...

- Temos vodka também... além de uísque e tequila...

- Aff... aceito uma dose de tequila... Por favor!

- Sente-se, fofa... volto já!

Patrícia não se sentou. Ficou andando em círculos pelo carpete, olhando para os quadros na parede, para o mobiliário moderno e tentando mapear mentalmente como seriam os cômodos do interior do estúdio.

Perdida em seus devaneios, tomou um verdadeiro susto, quando ouviu uma voz grossa chamando por teu nome:

- Patrícia?

Ela virou-se rápido na direção da voz de trovão, e viu um homem na casa de seus trinta anos, cabelos castanhos levemente desgrenhados, barba cerrada e olhos azuis, usando botas, jeans e camiseta azul lisa agarrada ao corpo, revelando músculos bem definidos em seus braços e abdômen. Tinha um sorriso lindo, com lábios grossos e covinhas nos cantos e no queixo, transpirando sensualidade.

Se Apolo tivesse um avatar, certamente seria algo parecido com ele!

- Desculpe se te assustei... Sou Roger, fotógrafo... Muito prazer!

- Ai, imagina... Sou Patrícia! O prazer é todo meu...

Eles trocaram beijinhos no rosto.

Nisso, Rebeca voltou com uma taça de Margarita (uma dose de tequila, três colheres de suco de limão, duas colheres de licor cointreau, dois cubos de gelo flutuando e, nas bordas do copo, sal e uma fatia de limão).

- Desculpe a demora... mas acho que caprichei!

Os três riram.

- Bom, Roger... vai com cuidado, viu? A Paty é virgem!

- Não acredito! Sendo tão linda assim? Nunca tirou fotos profissionais?

Patrícia riu, sem graça.

- Mas fique tranqüila, viu? Sou profissional e tenho experiência de mais de quinze anos, com modelos e amadoras. O importante é você ficar bem relaxada e a vontade... Imagine que não sou eu, mas teu namorado sortudo que está segurando a câmera...

“Como diabos ele sabe que tenho namorado? Ah... que burra! Claro que ele viu a aliança de prata na minha mão direita!”

- Confesso que estou nervosa, Roger...

- Pois então sente ali no sofá... tome seu drink... enquanto a Receba te faz uma massagem... Eu e o Marco estamos terminando o cenário lá no estúdio, e daqui a pouco venho te chamar para começarmos, ok?

- Ok, obrigada...

Patrícia sentou-se no sofá, segurando a taça com suas mãos trêmulas. Levou o líquido à boca e sorveu-o com delicadeza, deixando que o álcool e o sal fizessem seu miraculoso trabalho... Em seguida, sentiu os dedos longos de Receba apertando seus músculos dos ombros, totalmente retesados. Como um mantra, a loira repetia: “Relaxa, mulher!”

Paty percebeu que Rebeca tinha experiência em massagens relaxantes, e por tua cabeça, pensou que uma garota como aquela deveria fazer bicos como “massagista” nas clínicas dos arredores da Rua Augusta. Depois ficou sem graça, como se repreendendo-se pelo pensamento maldoso...

Mas a massagem era muito boa... Tão ou mais quanto a própria tequila...

Os minutos passaram lentamente... e em certo momento, Paty chegou a gemer baixinho, tamanho o prazer que sentira, enquanto a bebida chegava ao cérebro e fazia o mundo ao seu redor girar...

Ela nunca foi muito forte para a bebida!

Tão logo tomou o último gole da bebida, Patrícia fora levada para o estúdio, onde viu um sofá de couro branco, em frente a um fundo azul, com refletores acesos e algumas araras de roupas nos cantos. Três pessoas conversavam com Roger. O bonitão deixou-os e veio caminhando na direção de Paty, segurando uma câmera fotográfica profissional.

- Sente-se um pouco no sofá, sim? Por enquanto vamos tirar algumas fotos para testar a luz do ambiente, ok?

Ela assentiu com a cabeça, um pouco aliviada por não ter que se equilibrar em cima de seus saltos altos...

E o bonitão começou a clicar... e clicar... e clicar...

Ele girava pelo estúdio, apontando sua máquina para o rosto de Paty, um pouco tímida a princípio, mas que no fundo, estava adorando ser o centro das atenções...

Ela se lembrava das modelos nas revistas de seu irmão...

E começou a fazer “caras e bocas” sensuais... arrancando risos do fotógrafo... e da platéia que assistia ao ensaio!

- Ok, Paty... Normalmente eu peço para as meninas trocarem o figurino para a sessão de fotos, mas você está tão linda, que seria um desperdício tirar este vestido... Vamos começar assim mesmo, ok? E... para você ficar mais a vontade... vamos ficar só nós dois, certo?

- Tudo bem...

- Rebeca, pessoal... fiquem lá fora... Eu os chamo se precisar...

Os quatro “intrusos” deixam o lugar e a porta dupla se fecha. Ele diz:

- Muito bem, Patrícia... Antes de começarmos, quero saber um pouco mais sobre você... teu namorado... Vocês estão juntos a quanto tempo?

- Vamos completar quatro anos de namoro...

- Que delicia... e já pensam em se casar?

- Sim... assim que entregarem nosso apartamento, o que está previsto para daqui a oito meses...

- Muito bom... Ele é um rapaz de muita sorte...

- Obrigada! Eu acho...

- Eu tenho certeza!

Ele se aproximou da modelo, tocando-lhe o rosto suavemente, com a ponta dos dedos. Ela sentiu suas pernas tremerem ao primeiro toque.

- Mas e você, Roger? Tem namorada? Casado?

- Não, Paty... minha vida é muito corrida... viagens... trabalho... não tenho tempo para compromissos... além disso... o ciúmes, né? Conheço tantas mulheres lindas...

Ela sorriu novamente... sem graça...

- Bom, podemos começar? Qual a tua expectativa para este ensaio?

- Quero que seja algo intenso... para despertar o desejo do meu namorado...

- Hummmm... intenso? É a minha especialidade...

- Sim... mas nada vulgar, viu?

- Claro, linda... só... picante, certo?

- Hahahaha... sim!

- Muito bem... Ajeite-se no sofá... isso... com as pernas cruzadas...

E os cliques recomeçaram...

- Isso, meu bem... faça um biquinho... mande um beijo para teu namorado!

Ela ria... ele também...

E os flashes ecoavam pelo estúdio escuro como se fossem relâmpagos...

- Agora tire a sandália... abaixada... mostrando o decote... Sensual, bebê!

Ela gargalhava... e se soltava com a personagem “sexy”...

- Que pezinhos lindos... Agora fique em pé, sim?

- Assim?

- Não... fique de costas para mim... Isso! Agora ajeite o cabelo...

- Melhorou?

- Perfeito... mas empine um pouco mais teu bumbum...

Ela sentia que o vestido subiu um pouco mais... revelando quase toda a extensão de suas coxas...

- Agora vire-se para mim... isso... levantando um pouco mais o vestido...

Ela puxou demais... revelando um pouco da calcinha...

- Perfeito! Perfeito demais! Você devia ser modelo, Paty!

- Ah, fala sério...

Ela olhou para o jeans do fotógrafo, e percebeu sua “empolgação”, mesmo por baixo da calça... Nunca havia visto algo assim! Ele riu e falou:

- Ainda duvida, depois disso?

Ela ficou ruborizada.

E a sessão continuou... cada vez mais ousada...

Ele se aproximava cada vez mais da modelo, que por sua vez, revelava mais detalhes de sua anatomia...

E o destino das sandálias, da meia-calça, do vestido, do sutiã e da calcinha foi o mesmo: o chão branco do cenário...

Completamente nua... de quatro sob o sofá... ela continuava fazendo caras e bocas... provocando o fotógrafo... que também se livrou de suas roupas... revelando seu corpo sarado e sua pica duríssima, latejando...

Ela nunca havia visto algo daquele tamanho...

Mas certamente estava louca para provar...

Como uma gatinha, ela desceu do sofá e, engatinhando, foi até o fotógrafo, registrando cada “passo” com seus flashes e cliques sem fim...

Ela segurou aquele mastro rígido, enchendo-o de beijos, afagos e saliva, com sua língua rodopiando ao redor da cabeça vermelha e de suas veias saltadas pulsantes... Em seguida, tentou engolir a espada, que invadiu sua garganta e chegou a sufocá-la por instantes! Mas logo sua língua tratou de ajeitá-la, lubrificando o suficiente para facilitar o vai-e-vem...

Profissional como só ele, Roger continuou registrando em suas lentes cada segundo da deliciosa chupada que vinha recebendo da modelo...

Mas estava na hora de encerrar a sessão... Afinal, onde se ganha o pão, não se come a carne... Aliás... que carnes ela tinha!

Roger deixou sua câmera ainda ligada no chão, e tratou de levantar Paty, deixando-a levemente apoiada sobre o braço do sofá, com o bumbum empinado, prestes a ser currada como uma cadela...

E o fez, sem piedade ou remorso!

Patrícia gemia... urrava... gritava... rebolava...

Era algo novo! Nunca havia sentido algo tão grande... nem tão intenso!

Nunca havia sido chamada de “vadia”, “puta” ou “cadela”...

E nunca havia gozado tão rápido...

Nem tantas vezes...

As transas com Mau-Mau duravam uns 15 minutos... eram lentas... permeadas de beijos e carinhos...

Já Roger a tratava como uma prostituta, dando-lhe tapas no bumbum e apertando teus seios com força... brutalidade até! E os 15 minutos se transformaram em 20... 30... 40... 50 minutos... e nada do garoto parar!

Ela mesmo já estava dolorida, ardida e esfolada, com câimbra nos pés, pulsos e joelhos, quando finalmente ele parou...sacando a camisinha cheia de leite viscoso de um pau ainda duro!

Ela não acreditava no que via...

Achava que era coisa de “filme pornô”...

Mas nesta longa tarde-entrando-pela-noite, descobriu que podia ser real!

Exausta e ofegante, viu seu fotógrafo se levantando e vestindo suas roupas, com um sorriso de orelha a orelha...

- Muito bem, dona Patrícia... Acredito que as fotos ficaram ótimas! Você é linda, e, como disse, teu namorado é um rapaz de muita sorte... Se quiser, pode tomar um banho ali atrás... Vou pedir para Rebeca te providenciar um jantar adequado, ok? Mas se me permite, terei uma outra sessão de fotos agora as 19:00 horas... Espero que tenha aproveitado, e tenha uma boa tarde!

Patrícia nunca se sentiu tão suja e usada...

As palavras frias e impessoais ditas pelo fotógrafo não combinavam com o delicioso ato por eles praticado... Tão intenso... tão... picante!

Depois do banho, ela percebeu que outra menina já estava sobre o sofá – uma ruiva bonita, um pouco mais nova que ela, usando um short jeans minúsculo e um top vermelho, insinuando-se para as lentes do sorridente fotógrafo...

“Maldito fotógrafo!” – pensou.

Maurício adorou as fotos da namorada, encartadas num álbum elegante e um estojo de madeira caprichado. Quis saber detalhes de como foi a sessão de fotos e se a trataram com respeito. Ela sorriu e disse apenas:

- Ah, Roger é um fofo... Super profissional! Nem sequer olhou para mim!

Coitado do Mau-Mau...

Mas, como dizia os bons e velhos poetinhas: Toquinho & Vinícius:

“Pois é, amigo! Você que está aí, com a boneca do lado, crente que é o amo e senhor do “material”, pode estar redondamente enganado... No mais das vezes ela anda distante, num mundo lírico e confuso, cheio de aventura e magia... E você nem sequer toca sua alma!”

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