quinta-feira, 21 de junho de 2012

Decadência...


Lembro-me daqueles dias...

Lembro-me do êxtase... do delírio... do frenesi da multidão...

Aquilo me alimentava, sabe?

Sentia-me forte! Indestrutível! Tive o mundo aos meus pés!

Bah, quanta inocência! É assim que vejo hoje...

Se não fosse esta merda toda, eu não estaria aqui, tentando escrever canções sem sentido e transando com putas decadentes...

Meus amigos não eram ambiciosos...

Fazíamos apenas um som de garagem, sabe?

Mas eu... Ah, eu queria mais! Muito mais do que isso!

Queria deixar São Gabriel... Queria deixar o Rio Grande do Sul!

Queria correr o mundo!

Foi então que ela apareceu...

Como um anjo! Um anjo maldito!

Carro importado. Perfume importado. Tailleur importado. Cabelos curtos, dourados, perfeitamente alinhados, emoldurando um rosto angelical. Seios pequenos, bumbum grande. Ótima combinação anatômica! Seu sorriso iluminou a pista da Clocks – única casa noturna de São Gabriel.

Mas eram aqueles olhos...

Cara, não sei dizer mas... Havia algo de estranho naqueles olhos!

Depois do nosso show, a loira nos convidou para tomar tequila. Foi a primeira vez que experimentei o néctar asteca! Na época, eu tinha apenas 17 anos, e além de cerveja, só havia experimentado vodka ruim...

Não preciso dizer que minha cabeça rodou já no primeiro “shot”...

Não preciso dizer que aquele não foi o único “shot” da noite...

Bebemos... e bebemos... e bebemos...

Depois disso, tudo se passou em flashes...

Me lembro de estar na pista da Clocks beijando aquela loira...

Depois me lembro de estar no banco de trás de um carro em movimento, sendo agarrado por outras duas loiras seminuas...

E também me lembro de estar deitado num quarto de motel, com uma morena escultural, rebolando em meu pau, gemendo baixinho, enquanto arranhava meu peito...

Não sei como, mas acordei deitado em minha cama, ainda na casa dos meus pais, com uma puta dor de cabeça!

Ainda hoje me lembro daquela ressaca braba!

Vomitei tudo o que havia no meu estômago, além de tomar todos os analgésicos que haviam em casa, mas nada funcionou!

Foram três dias enfurnado em meu quarto escuro...

Mas ao sair do casulo, percebi que algo havia mudado!

A rádio local estava tocando a nossa música... e os comentários dos ouvintes era o melhor possível!

Nossa fama se espalhou rápido pelas cidades vizinhas, e em menos de um mês, estávamos tocando em Porto Alegre...

Depois vieram Florianópolis, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Nova York, Londres, Manchester, Amsterdã, Tóquio, Pequim e Sidney!

Tudo cresceu repentinamente!

Luzes, glamour!

O sucesso veio rápido, fulminante, inebriante!

Mulheres! Multidões!

Foi divertido... enquanto durou...

E durou tão pouco!

A sombra daquela loira estava sempre ao meu lado...

Lembrando-me do acordo que assinei naquela maldita noite!

Hoje, sou apenas um velho bêbado, a espera do inevitável...

Logo ela estará aqui novamente...

O anjo maldito!

Para cobrar a minha dívida...

Bem... hora do show!

Levanto-me lentamente da cama, para não acordá-la. Calço os chinelos e visto a bermuda. Vou até a cozinha do minúsculo apartamento.

Entre pratos sujos e panelas com resto de comida da semana passada, encontro Emanuele. Ou simplesmente Manú. Minha faca de churrasco predileta. Cabo de madeira escura, lâmina de aço inoxidável perfeitamente afiada, capaz de fatiar uma costela na brasa com a mesma facilidade com que passo manteiga nos cacetinhos da padaria da esquina!

Volto para o quarto e vejo que Thábata ainda está dormindo...

Cara, como odeio estes nomes, sabia?

Tá na cara que esta nordestina não se chama “Thábata”. Deve ser “Maria do Perpétuo Socorro” ou algo do gênero! Mas como dificilmente conseguiriam ser sexy com seus nomes de batismo, decidem usar nomes como “Thábata”, “Jennifer” ou “Suellen”...

Baixinha, atarracada, cabelos cacheados pintados de loiro platinado, olhos castanhos e pentelhos pretos, além é claro da barriguinha de verme, denunciando ter passado fome por vários anos antes de decidir ir para a esquina e se transformar em “Thábata”...

Devia ter sido uma menina bonita, com um corpão, já que até hoje, tem uma bunda grande e seios fartos. Mas o tempo foi cruel com ela, e tudo o que é “grande”, acaba amolecendo... criando estrias e celulites...

Para mim ainda está bom... mas há duas horas atrás, enquanto fodia a cadela, não pude deixar de rir ao ver o “efeito terremoto” sobre a pele, a cada estocada!

Opa, ela está acordando...

Com a maquiagem borrada e o cheiro de perfume barato, elas conseguem ficar ainda mais feias...

Mas são úteis...

- Olá, princesa... dormiu bem?

- Oi, amor... O que faz acordado? Ainda é madrugada...

Inegavelmente, o show deve continuar...

- Thábata... precisamos conversar...

Todas as noites são iguais...

As dez da noite, abro a primeira garrafa de uísque nacional barato...

A meia-noite, começa o show em alguma casa noturna que promove uma “festa flashback”, relembrando os meus velhos sucessos...

As duas da manhã, termino a segunda garrafa de uísque e empilho a 30ª lata de cerveja sobre a mesa. Dou um “tiro” para acordar...

As duas e meia, circulo pela cidade, a procura de outra “Thábata”...

As três e meia, elas dormem, com o rabo ainda melado...

As quatro, eu me levanto, pego a Emanuele, e volto para o quarto...

Para a nossa “conversa”...

As quatro e dez, elas gritam, tentando fugir...

As quatro e doze, elas gritam de dor, quando a lâmina começa a dilacerar sua carne...

As quatro e quinze, elas morrem...

As quatro e meia, seus corpos estão embalados em pequenas porções, devidamente acomodadas em minha geladeira...

Este foi o meu acordo com a loira...

Uma alma impura por dia... em troca da minha!

Assim devo pagar...

Eternamente...

Por ter sido tão inocente...

É, meu caro...

A boa vida tem seu preço!

Mas devo confessar...

Até que eu gosto disto, sabia?



I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no
I can't get no

When I'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information

Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction

'Cause I try and I try and I try and I try
I can't get no
I can't get no

When I'm watchin' my TV
And that man comes on to tell me
How white my shirts can be
But he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarettes as me

I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say

I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'Cause I try and I try and I try and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signing that
And I'm tryin' to make some girl
Who tells me baby better come back later next week
'Cause you see I'm on losing streak

I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say
I can't get no, I can't get no

I can't get no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction, no satisfaction
I can't get no


0 comentários:

Postar um comentário