Adoro ler o pequeno Príncipe, e me identifico por demais com a raposinha solitária, que vive livre, mas passa fome, e que no fim, é cativada pelo pequeno príncipe que tem que ir embora, mas ela parece resignada a tal situação, parece que espera pela ausência e tem meios de se sentir feliz com tal ausência, justificando que ser cativado vale mais que qualquer cuidado...
Segue trecho (...)
“Tu não és para mim senão uma pessoa inteiramente igual a cem mil outras pessoas. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim.Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fossem música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão.O trigo para mim não vale nada. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma.E isso é triste! Mas tu tens cabelos dourados. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado.O trigo, que é dourado, fará com que eu me lembre de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo... – E quando estiveres consolado (a gente sempre se consola), tu ficarás contente por teres me conhecido. Tu serás sempre meu amigo. Terás vontade de rir comigo. E às vezes abrirás tua janela apenas pelo simples prazer...E teus amigos ficarão espantados de ver-te rir olhando o céu. Tu explicarás então: “Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir! E eles te julgarão louco. Será uma peça que te prego...
E riu de novo...”
(Antoine Saint-Exupéry, seu autor, "um livro urgentíssimo para adultos", o que talvez explique a extraordinária sobrevivência literária de O pequeno príncipe. Ed Agir- pag. 173/184.)
0 comentários:
Postar um comentário